21 julho 2012

Cumulus Nimbus

Ligo uma música perturbadora no último volume. Procuro algo sobre o que preciso pensar. Preciso tanto pensar em tudo que não penso - há algum ponto fixo crucial perdido por aí. Crucifixo. Há uma instabilidade quando são chamados de fixos e insistem em se mover assim, dessa forma. Não deveriam ser móveis, não. Mas o são sem nos pedir. No mínimo fossem mais lentos...

A incerteza da música que me perturba é a mesma da vida - tá aí uma comparação agradável. A vida me atrai como esse som. A vida conversa comigo em dois fones: vai rodando. It's all around you. E essa minha nova mania de organização vai afetar minhas ideias também? Talvez seja realmente conveniente. Acho interessante essas notas que destoam do conjunto, apesar disso. A opção pode ser criar uma organização própria, com um sentido que fuja do compreensível pr'outros olhos que não os meus. Talvez assim a liberdade me alcance. Ela vem me perseguindo, mas está sempre alguns passos atrás. Eu forço tentativas para desacelerar, mas ela não me alcança, quando eu olho para a direita, ela está a minha esquerda e vice-versa, mas a harpa é só um piano pelado.

Eu nunca tenho certeza em qual parte da respiração eu sinto mais forte essa coisa no peito. Será que eu aguento mais um pouco? Posso tirar um fone? Nessa faixa não me parece mais tão romântico a música ser a vida. Mas daí começa outra. Eu gosto demais daquela caneta verde, mas eu preciso de mais materiais pra fazer alguma coisa boa de verdade. Eu quero um estojo bem servido! Quero ter todos os tipos, de todos os tamanhos, quero a delícia do que está tocando agora tocando os papéis. Essas traduções semióticas não são lá muito revolucionárias. Na verdade, nunca consegue ir além do repetitivo. O que eu quero mesmo é usar uma expressão e um conteúdo completamente diferentes e despertar o mesmo sentimento em quem recebe a informação. Eu quero que esse barulho me invada.

É preciso que se entenda: tudo isso estava adormecido. E sem perceber eu comecei a procurar desesperadamente pelo que estava errado e foi então que a encontrei, não para resolver, mas para embaralhar a situação deliciosamente. Chegou em 1080, ludibriando a tecnologia e a ignorância com notas de genialidade. Acúmulo de informações bizarras concentradas num fenômeno audiovisual. Cumulus Nimbus, uma nuvem. Hoje tudo está fazendo um sentido insano dentro da minha mente. Tirou a materialidade da minha cor e me deixou uma sensação de ter pisado em falso. A dúvida entre gostar ou não me faz querer tirar todas as provas. E isso é insanamente carnal. Um olhar infinito, quase impuro, interminável. Toda essa reflexão sobre o espaço que eu tenho procurado me inserir tem um quê de familiar. Percebo o quanto esses pensamentos andaram afastados de mim - antes eram tão cíclicos e contínuos... A certeza é uma só: de que alguma coisa foi esquecida pelo caminho.

Aqui é a hora daquele café passado sem açúcar. Para os inteligentes as coisas são claras. Tudo o que ele mostra tem um cheiro do que eu quero pra mim. Não é nem a classe, nem a graça, estes são tão óbvios, há um ponto mais. E de repente uma ficha cai, dura, bate metálica no chão de cimento queimado.

Onde é que eu estive esse tempo todo? Vou me vestir de novo de mim. Eu terei de me perdoar, foi muito tempo esquecido. Agora tudo parece tão leve novamente que minha vontade é deitar naquela nuvem macia, poder usá-la de travesseiro, abraçar e colocar entre as pernas.


Declare Independence, don't let them do that to you!

3 comentários:

mariana, 21 anos disse...

que lindo texto, que lindo momento. senti uma inveja maravilhosa, não sei, uma vontade. que lindo. que bom.

Bruna Fortes disse...

você pode sempre deitar nessa nuvem macia :)

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