
Hoje, eu poderia comentar sobre os problemas do mundo, criticar a corrupção ou a reeleição do Lula. Eu poderia defender a língua portuguesa tradicional ou as provas dissertativas da Unicamp. Eu poderia falar sobre coisas que me aconteceram ou inventar detalhes pra uma narração qualquer. Eu poderia até mesmo postar o fim de uma narração que eu passei dias fazendo. Mas não, eu não tenho vontade alguma de escrever sobre nenhuma dessas coisas. Talvez eu não seja um pessoa séria o bastante para dissertar. Sobre o resto, não sei dizer.
Na verdade, há dois dias eu clico em Nova Postagem, escrevo algumas palavras, depois as apago e saio, sem nem mesmo deixá-las no rascunho. É que o assunto sobre o qual eu quero falar, nem sequer chega a ser um assunto quase, de tão pouco. Em fatos, não é praticamente nada. Mas eu não me importo com fatos. É tudo culpa do meu signo. Durante essas férias entediantes o que me encanta, pra variar, é o incerto, uma dúvida engraçada, um futuro próximo cheio de interrogações e o que sei delas é que elas são lindas e roxas.

Era uma menina comum, e ela estava por aí até um tanto por acaso, os nossos amigos em comum poderiam ter deixado isso de lado, afinal, nós poderíamos simplesmente dizer oi quando fosse preciso e seria o bastante. Mas não sei de onde surgiram os assuntos, de onde surgiu a vontade, de onde surgiu a confiança. Quando eu vi, simplesmente estavam todos ali, dispostos na minha frente. Naquela tela com uma foto quadrada de uma menina com uma panela na cabeça, eu digitando pra ela sobre os meus problemas mais secretos e conversando abertamente sobre as verdades mais engraçadas que pudemos nos lembrar. Falando assim, nem me parece sensato. A gente não deve confiar logo em pessoas com panelas na cabeça.
O mais estranho de tudo é que quando eu peguei um lápis e um papel, eu nem lembro quanto tempo fazia que eu não sentia vontaaaaade de desenhar, e a primeira coisa que eu pensei foi: A Fer quer uma fada. Ela nem tinha pedido pra mim direito, só tinha comentado que pedia pra todos que desenhavam. Mas eu interpretei aquilo como um futuro pedido e não sei, eu quis desenhá-la.
E eu não a conheço. Eu pensava em quê ao desenhar se eu não a conheço? Eu não tinha certeza se o que eu conhecia era o bastante pra que eu fizesse com que aquele desenho fosse dela. Que fosse dela e que fosse pra ela. E, para minha maior surpresa, quando ela o viu, o que ela me disse, sem ter conhecimento algum das minhas dúvidas e preocupações, foi que aquele desenho se parecia com ela. E nenhuma outra resposta que ela desse poderia ter me agradado mais.
O que isso significa, eu não tenho intenção alguma de prever.
Não sou boa em fatos, me componho dessas pequenas esperanças.