01 dezembro 2008
27 julho 2008
Eu e a Felicidade ♥
Li, Lii-Liiiiizii, as coisas lindas são mais lindas quando você está.
Nesta bela noite, as corujas malditas gritam lá fora da janela, a minha barriga ronca de fome, não está nem frio nem calor, a porta do guarda-roupas está aberta e o LimeWire está baixando Sweeney Todd. Ao som de Nando, só quero que você sorria e saiba o que eu sei: eu te amo.Parte 1 ~ Prólogo
Fato - eu odeio aquele novo botão do orkut pra ver o perfil inteiro das pessoas. Eu gosto de ver o perfil inteiro sem ter que pedir. Hoje, como sempre, eu estava visitando o seu belíssimo perfil e ao apertar aquele botão idiota, notei que há algum tempo eu não via o seu perfil completo. Hipocrisia crônica, afinal completo é uma palavra que não nos falta.
E ver aquelas minhas palavras ali foi uma mistura de sentimentos estranhos que me fizeram abrir um sorriso enorme, de orelha a orelha, meio bobo, satisfeito. Coloquei-me a pensar.Misturado às palavras que consegui guardar na minha memória fraca das inúmeras frases perfeitas que pensei nos momentos únicos em que temos a chance de nos abraçar (e que jamais disperdiçamos, diga-se de passagem), enfim, fazendo um belo mix de coisas inexplicáveis e em se tratando de mim, que adoro o impossível, tenho de tentar explicá-las, descrevê-las, expressá-las, nem que seja só um tanto.
Parte 2 ~ Coisas boas
Acontece que nesta cidadezinha aí, com você, as coisas nunca são assim. Você não tem medo, os seus abraços são sinceros e toda vez que eu seguro a sua mão mais firme é como se eu pudesse dizer tudo o que eu tanto sinto e ao mesmo tempo quase tocar o que eu sei que você também sente. De tão concreto, de tão certo, é sim, tocável. Eu sinto, eu sei.
Nossa amizade é uma combinação de fatores que eu nunca vi agual, nem sequer ouvi falar. Porque além das nossas conversas loucas, brigas e confissões, há o lado quase físico, quase psicológico - é um carinho imeeeeeeeeeeeeeeeeeenso que transborda do interior para os sentidos em forma de belos, intensos e constantes abraços e afins.
Eu sempre espero demais das pessoas e você é uma das poucas que ainda consegue superar expectativas - me surpreende, me encanta.
Nunca entendi bem esta história de pra sempre, vários dos meus se desfizeram sem me pedir licença e como já dizia a sábia Sandy: O que é imortal não morre no final, o que prova que o meu conceito de sempre é um pouco errado. O que eu sei, o que eu tenho certeza é que eu vou rezar e fazer de tudo pra que isto tudo seja pra sempre.
Parte 3 ~ Nem tão boas assim
Mas se ainda assim você quiser, se ainda assim você conseguir acreditar, faça. Faça o que você é tão boa em fazer - não tenha medo, Li.
Diga, escreva, grite, digite tudo e telefone. Seja ridícula. Todos vão dizer sobre o quanto você está sendo ridícula, inclusive eu, mas vá em frente, assuma a culpa, ofereça a outra face. O máximo que pode acontecer é você ficar igual ao Luxa naquela pior fase dele, sofrendo daquela mesma doença, mas tudo bem, eu gosto bastante do Luxa.
O caso é que você só vai entender tudo o que eu tento tanto dizer quando você sentir, quando forem suas próprias decepções. E no fim o preço nem é tão grande pela lição aprendida.
Se a sua esperança for grande o bastante pra sofrer isso, não desista. Caso contrário, deixe tudo como está - as mudanças naturais são muito mais lentas do que as humanas, porém ocorrem com muito mais perfeição.
Segundas, terceiras, décimas chances são (na maioria das vezes) inúteis - as pessoas não costumam mudar, mas eu espero do fundo do meu coração que você tenha mais sorte do que eu nisto. Se você quiser ir em frente, a minha mão estará sempre estendida pra você. Você terá a minha alegria se der certo e terá o meu apoio se não der. Trate de medir bem esta sua esperança, mocinha.
Parte 4 ~ Epílogo
Independentemente dos meus conselhos serem úteis ou não, nem que eu enumere suas qualidades numa lista gigante, mesmo que eu esteja sempre com você, aconteça o que acontecer...Ouça - eu não quero que você me agradeça por nada.
POR VOCÊ EU FARIA ISSO MIL VEZES.
(O caçador de pipas - Khaled Hosseini)
29 junho 2008
Prazo final de uma fase ruim [parte 8]

Tentou disfarçar a curiosidade, mas não pôde. Abriu o livro, quis não notar o bilhete jogado ali, em cima dos sachês de açúcar. Sim, lembrava-se dele, sobre ontem, na verdade, lembrava-se muito. Ele a olhara naquele instante com uma inocência tão intensa que a despia. Ela respondeu com um oi, que quis ser com um tom de vamos nos sentar aqui e conversar por horas, mas que ao tentar se conter acabou saindo amargo demais. E sentira aquele gosto ruim na boca durante a tarde toda, culpava-se por tê-lo afastado. Sentira-se muito ruim, mas não queria ceder a ele todos os privilégios, pois não estava bem já há alguns dias. Sentia-a completamente alheia ao mundo - sua arte não rendia, suas palavras não a impressionavam, seus desenhos não expressavam o que ela gostaria que eles expressassem. Nem sequer ao tirar fotos ou ao se vestir ela estava obtendo sucesso nesses dias. Era como se aquela nuvenzinha cheia de raios e chuvas pairasse sobre a cabeça dela. E quanto mais tentava acreditar que não era nada disso, mais coisas ruins chegavam pra provar que sim - era uma fase péssima.
Ao vê-lo sentado naquele café, aquelas horas da manhã, pensara em um milhão de coisas, mas como não gostava de se iludir, continuou seu caminho, sentindo um aperto estranho no peito. Começou a respirar com uma certa dificuldade e por isso achou confortável abraçar o irmão - ele sempre a fazia sentir melhor em momentos assim.
E agora essa? Bilhete? Bilhete?! Qual é? Parecia uma criancinha, finjindo que não via o bilhetinho em cima da mesa. Pegou o seu Nokia 5200 e colocou os fones, mas logo se entregou porque a primeira música que tocou era o Marcelo Camelo dizendo: "cola o seu desenho no meu, pra ver se coooo-olaaa". Era demais.
Ao vê-lo sentado naquele café, aquelas horas da manhã, pensara em um milhão de coisas, mas como não gostava de se iludir, continuou seu caminho, sentindo um aperto estranho no peito. Começou a respirar com uma certa dificuldade e por isso achou confortável abraçar o irmão - ele sempre a fazia sentir melhor em momentos assim.
E agora essa? Bilhete? Bilhete?! Qual é? Parecia uma criancinha, finjindo que não via o bilhetinho em cima da mesa. Pegou o seu Nokia 5200 e colocou os fones, mas logo se entregou porque a primeira música que tocou era o Marcelo Camelo dizendo: "cola o seu desenho no meu, pra ver se coooo-olaaa". Era demais.Jogou os fones na bolsa sem cuidado algum, contrário do que era seu costumeiro com eles, afastou o prato e puxou o bilhete com a ponta dos dedos para sua frente. Espiou com o canto do olho o moço na mesa. Ele a olhava fixamente e nem sequer disfaçou quando a viu olhando. Afastou os cabelos do rosto com a mão e abriu o bilhete, com delicadeza estridente.
Gelou ao ler, aquelas frases quase sem sentido, mal escritas, com caligrafia desregular - ridículo.
Ridículo, ridículo, ridículo.
Ridículo, ridículo, ridículo.
De alguma maneira, não menos ridícula, ela entendera exatamente. Exatamente. O coração batia descompassadamente e com freqüencia impressionante. Sem prévias, seus pensamentos desapareceram, não pensava em absolutamente nada - ridículo...
17 maio 2008
Ponto de vista amarelado [parte 7]
Como boa menina amarela, Beatriz era boa em lidar com as pessoas, mas este Jonas... Ele era fascinante. Falava pouco e sempre tinha um olhar distante, desatento. Cada fio de cabelo dele transparecia uma verdade incontestável que ela não se sentia capaz de descobrir. Estar com ele era como um grande lago de areia movediça e ele teve de sair logo para não se afogar completamente. Era como se a voz dela ecoasse perfeitamente em cada sílaba e ele fosse um pato.Entregar o bilhete do estranho para Liz fora uma escolha fácil, pois sabia que a amiga não gostava de gente comum e via claramente toda a história que podia se desenvolver a partir deste guardanapo de papel rabiscado com uma tinta barata. Bia era boa com palavras e estava serelepe com a incógnita de que as palavras certas naquele papel poderiam fazer Liz se apaixonar porque ela nunca (NUNCA) vira Liz apaixonada por ninguém.
Depois de deixar o tal bilhete na 3, correu para o caixa e pediu para Jú trocar com ela um pouco. Era extremamente curiosa e esta se tornara uma questão de seu interesse. A menina amarela assistia com felicidade a paixão alheia, de sua visão amarela das coisas. Dali, a vista era ampla. Perfeita.
15 maio 2008
Moody's mood for love [parte 6]
Chegara cedo demais. Seus sentimentos já não eram mecânicos e controlados como outrora, mas sim intensos e descompassados. Tão descontrolados quanto as batidas de um coração emocionalmente jovem e despreparado quando avistou, virando a esquina, os cabelos ondulados cor de laranja que estranhamente combinavam com a maior perfeição com o All Star azul bebê e com a cor do céu e todas as suas fofas nuvens daquela manhã.
Ao contrário do que imaginara que aconteceria, ao passo que ela se aproximava, aproximava-se dele uma grande dose de paz e calma. Havia alguma coisa no tom daqueles tantos azuis que neutralizava o vermelho dos cabelos que o faziam arder.
Era aquele gingado de menina da praia andando no cimento que o enlouquecia. Alguma música inevitavelmente começava seguindo o balanço ritmado daqueles quadris largos - desta vez uma bêbada dizia com sílabas mal pronunciadas I'm really feeling in the mood for love, cantava muito bem.
Ela olhou diretamente nos olhos dele e deu um sorriso de canto de boca. Teria o reconhecido? Teria sido tão importante pra ela aquele breve momento quanto pra ele? Num dia comum seria importante encontrar um estranho de manhã? Era uma perspectiva diferente, ocorria somente agora à mente cru de Jonas que a moça tinha um nome, uma história, e toda uma vida alheia à dele, além do breve momento em que se viram. Talvez ela tivesse até um namorado...
Jonas se sentou em uma mesa dessas que ficam do lado de fora dos cafés e esperou. Aquela comunicação visual significaria que era hora de conversar? Ele tinha uma certeza incontestável de que ela começaria alguma coisa, mas quando os olhos dela se afastaram dos dele, foi um choque. Passou reto... Tão perto que ele pôde sentir o cheiro bom dos cabelos mal arrumados. Virou abruptamente e entrou no café.
Mas a menina parecia alegre e extrovertida, logo deu um abraço forte no garçom e beijou-lhe o rosto. Sentou-se numa mesa lá dentro e abriu um livro grosso. Nem olhou mais na direção da mesa 11, nem tentando disfarçar. Deu uma olhada rápida no cardápio, e disse algo para o homem que abraçara, que riu e, com um sinal afirmativo, virou as costas. Em alguns minutos, trouxe um café com leite grande e uma caixa de mini pães de queijo. Ela fechou o livro, prendeu os cabelos com um laço azul escuro e tomou um gole. Jonas ficou observando, paralizado. Levou um susto quando uma garçonete parguntou se ele gostaria de alguma coisa.
- Você pode entregar uma coisa pra'quela ruiva?
Não tirou os olhos dela enquanto falava, a garçonete mostrou os dentes amarelados, tão amarelos quanto ela toda e seu cabelo amarelo e sem graça, liso e previsível.
- Tome cuidado com a Liz, querido.
Jonas desviou os olhos.... Liz? Ficou olhando a moça rir, inquieto. Aquela felicidade era incômoda e incompreensível para ele, assim como começou a incomodá-la também aquele olhar. Parou de rir, como que por obrigação.
- À propósito, meu nome é Bia - disse, estendendo a mão e sentando na cadeira vazia a frente.
- Jonas.
- Você conhece a Liz? ... Jonas?
- Ainda não.
Depois de um segundo difícil em que as palavras fugiram para ambos, Jonas apontou para o garçom que trabalhava distraído e perguntou:
- Quem é aquele? - quebrou o silêncio sem querer, pois não o incomodava, mas incomodava à menina amarela, que se sentiu aliviada com as palavras poucas.
- Irmão dela, Léo.
Só então tornaram-se notáveis para Jonas as mechas alaranjadas na cabeça do galã de camisa social. Para ele, ainda escapavam os detalhes.
- Você tem uma caneta, Bia? - perguntou, pegando um guardanapo de papel.
Escreveu rápido, dobrou e colocou na mão dela, que piscou e saiu rápido para a cozinha, no caminho, deixando o bilhete em cima da mesa de número três.
12 maio 2008
Alguns certos dias têm cara de vida inteira [parte 5]
Antes de se deitar, Jonas comeu uma maçã. Ela estava na fruteira já há vários dias e aproximava-se o fim cruel de apodrecer ali, sem alternativa, mas Jonas devorou-a com fome de uma ansiedade que não passava. Novas forças nasciam para ambos, de diferentes formas.
Aquecido, num travesseiro fofo, abraçando um grande urso marrom, custou a dormir. Via flashes daquele dia interminável e o tic tac do relógio batia com peso em sua leve dor de cabeça. Às 23:59 vidrou os olhos no relógio por exatos dois minutos e quando teve certeza absoluta de que um novo dia havia começado, sentiu um arrepio. Os pensamentos se dispersaram com rapidez, e o garoto apagou a luz do abajur para se entregar à escuridão de brancos momentos em que já não se pensa mais em nada.
20 abril 2008
Pequenas vitórias [parte 4]
Conseguiu voltar para casa gastando o preço de só um passe no Bilhete Único. Era o peso de mais uma vitória em suas lutas particulares e significava muito, sentia-se capaz e era o bastante.
Tomou um banho, deixou a água correr pelo seu corpo, que estava muito sujo. Colocou umas roupas de algodão, de cores claras e bem largas pra ficar à vontade. Enfiou-se dentro de uma caixa grande em seu quarto pra pegar umas coisas e espalhou na mesa da sala réguas, lapiseiras, canetas, estojos, calculadoras e papéis em branco. Começou a desenhar a rota que fizera de manhã quando encontrara a menina com a maior precisão possível. Passados alguns minutos, riu de si mesmo: não havia fórmula para encontrá-la de novo. Mesmo assim tracejou a rua por onde passara com caneta vermelha e fez um xis grande no lugar onde a vira, no lugar certo. Riu, largou a caneta, deitou-se por cima de toda aquela papelada inútil (que em breve iria para a reciclagem) e passou o dedo indicador da mão esquerda na superfície daquele xis.
O frio na barriga não o deixava desde cedo e sentiu certa náusea ao fechar os olhos, logo se imaginou um capitão pirata sobre seus velhos e empoeirados mapas, viu seu copo d'água como uma taça de rum - era um pirata em busca de um tesouro perdido e tinha um mapa para encontrá-lo! Um mapa marcado com um xis vermelho. Riu de si mesmo de novo, estava feliz. Continuou acariciando o nada detalhado esquema - tateava cada fibra do papel como se pudesse senti-las, ou como se pudesse senti-la ali. Ele desenhava as curvas do corpo dela na imaginação, passando a ponta dos dedos levemente sobre o quase abismo que causara aplicando sua força com a caneta vermelha no papel. Excitava-se em pensar nela. Colocou a mão direita entre as pernas e ficou ainda alguns instantes completamente entregue à idéia de conhecê-la completamente.
Então alinhou sua coluna ao encosto da cadeira, com a respiração ainda ofegante apoiou o cotovelo na mesa e a cabeça nas mãos. Depois endireitou-se novamente, passou a palma das duas mãos sobre a folha que desenhou e logo em seguida a rasgou no meio, amassou e arremessou em direção ao lixo, do outro lado da sala.
E acertou. O dia fora, realmente, composto de pequenas vitórias.
Voltou aos papéis, rabiscou o rosto dela com um lápis 6B, mas lhe fugiam os detalhes. Levantou-se e pegou um cd no raque, pôs no rádio e apertou o play. Fitou o próprio reflexo no espelho atrás da garrafa de vinho espanhol que ganhara anos antes do irmão mais velho. Sorriu.
Tomou um banho, deixou a água correr pelo seu corpo, que estava muito sujo. Colocou umas roupas de algodão, de cores claras e bem largas pra ficar à vontade. Enfiou-se dentro de uma caixa grande em seu quarto pra pegar umas coisas e espalhou na mesa da sala réguas, lapiseiras, canetas, estojos, calculadoras e papéis em branco. Começou a desenhar a rota que fizera de manhã quando encontrara a menina com a maior precisão possível. Passados alguns minutos, riu de si mesmo: não havia fórmula para encontrá-la de novo. Mesmo assim tracejou a rua por onde passara com caneta vermelha e fez um xis grande no lugar onde a vira, no lugar certo. Riu, largou a caneta, deitou-se por cima de toda aquela papelada inútil (que em breve iria para a reciclagem) e passou o dedo indicador da mão esquerda na superfície daquele xis.O frio na barriga não o deixava desde cedo e sentiu certa náusea ao fechar os olhos, logo se imaginou um capitão pirata sobre seus velhos e empoeirados mapas, viu seu copo d'água como uma taça de rum - era um pirata em busca de um tesouro perdido e tinha um mapa para encontrá-lo! Um mapa marcado com um xis vermelho. Riu de si mesmo de novo, estava feliz. Continuou acariciando o nada detalhado esquema - tateava cada fibra do papel como se pudesse senti-las, ou como se pudesse senti-la ali. Ele desenhava as curvas do corpo dela na imaginação, passando a ponta dos dedos levemente sobre o quase abismo que causara aplicando sua força com a caneta vermelha no papel. Excitava-se em pensar nela. Colocou a mão direita entre as pernas e ficou ainda alguns instantes completamente entregue à idéia de conhecê-la completamente.
Então alinhou sua coluna ao encosto da cadeira, com a respiração ainda ofegante apoiou o cotovelo na mesa e a cabeça nas mãos. Depois endireitou-se novamente, passou a palma das duas mãos sobre a folha que desenhou e logo em seguida a rasgou no meio, amassou e arremessou em direção ao lixo, do outro lado da sala.
E acertou. O dia fora, realmente, composto de pequenas vitórias.
Voltou aos papéis, rabiscou o rosto dela com um lápis 6B, mas lhe fugiam os detalhes. Levantou-se e pegou um cd no raque, pôs no rádio e apertou o play. Fitou o próprio reflexo no espelho atrás da garrafa de vinho espanhol que ganhara anos antes do irmão mais velho. Sorriu.
19 abril 2008
Um pouco mais de sinestesia, um pouco menos particular - a continuação da história de Jonas [parte 3]
Ainda no ônibus Jonas não fazia idéia de para onde aquelas ruas (ou o destino, se preferir uma visão mais poética) o levariam, sequer sabia se gostaria de ir - acabara de notar uma série de coisas que desconhecia, o que destruída em parte sua fantasia e o derrubava numa realidade de concreto, que de tão hipotética, fria e inanimada, fazia doer. Sentia-se cru, insano, insensato e inocente. A desconexão de pensamentos despertou uma raiva incoerente e generalizada que o fez franzir o cenho. Engoliu seco, sentindo pela primeira vez na vida, a insatisfação e a completa falta de liberdade em ser e toda a limitação que isto traz. Como conseqüencia óbvia, já não sorria há vários minutos, por isso já não parecia nem tão bonito, nem tão encantador.
Deixou-se quieto um instante, respirando. Esqueceu. Até tentou olhar, sentir e ouvir a verdade cimentada em sua frente, mas não pôde - ainda não sabia que precisava de óculos. Deixou ficar a cicatriz do que agora sabia e voltou a ser quem sempre foi. Talvez agora com tal fio de cabelo branco entre seus tantos. Sorriu e sentiu-se leve de novo. Pensou naquela garota de outro jeito, com outros ares e se apaixounou pelo que imaginou. Aquele cabelo mal-preso... imaginou que ela certamente não seria a mocinha numa história - ele odiava as mocinhas. Até que tentou pensar em não vê-la novamente, mas se esforçou daquele jeito frouxo, de quem faz só pra não poder dizer que não fez. Sabia que seria difícil encontrá-la, falar com ela talvez fosse difícil demais pra ele... sabia, mas não pôde deixar de enfrentar o que estava por vir, mais uma vez. Sentiu-se forte e corajoso por não fugir. Era uma certa vitória antes mesmo de ser.
Afastou os pensamentos porque começou a ficar com medo, as pernas tremiam e a barriga gelava - não se contia. Levantou-se abruptamente, deu sinal pra descer. E desceu, pisou na calçada com seu All Star bege, sentindo as pedras do chão de um lugar desconhecido e era, sim, aquele novo caminho de uma vida completamente desorientada que Jonas queria trilhar.
Afastou os pensamentos porque começou a ficar com medo, as pernas tremiam e a barriga gelava - não se contia. Levantou-se abruptamente, deu sinal pra descer. E desceu, pisou na calçada com seu All Star bege, sentindo as pedras do chão de um lugar desconhecido e era, sim, aquele novo caminho de uma vida completamente desorientada que Jonas queria trilhar.
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