01 agosto 2010

Põe tudo no crédito

Dentre as inconsequentes hipérboles sobre as quais se constituem meu ser e todo o amontoado de sentimentos que nele se desfiguram, esta é a mais incompreensível. De incompreensão me sobram inúmeras arestas não podadas, mas esta é justamente a mais aguda. Tudo o que venho sentindo sem aparente razão me confirma o fato que me é de obviedade estúpida - eu desaprendi a viver sem a sua presença. Odeio a estabilidade dos cobertores ao não cair no meio da noite pelos lados da cama e não me preocupo com o gradiente lindo do céu se não refletido em seus olhos. Eu sinto o cheiro do seu gosto no vento frio que me gela a alma ao longo da Almirante Barroso e me falta matéria entre os dedos, sua mão, seu corpo pra eu apertar. Minha previsibilidade me cansa, mas hoje eu não consegui estar presente no meu próprio dia, não estive na sala de estar. Enquanto embrulha meu estômago, tenta expelir essas entranhas que eu desconheço. São minhas? É por mim mesma todo esse esforço aqui dentro pro meu sangue continuar correndo? Você está no lugar errado, de qualquer maneira - hoje eu nem sequer estou, o pouco que eu sou neste momento me poupo, e pra mim, pra seguir em frente até a hora de voltar a viver de verdade.

6 comentários:

Anônimo disse...

Oh, é o seu texto mais complexo que eu me lembro de já ter lido.

Má Straci disse...

isso é muito lindo, e isso só pode ser amor.

Li disse...

tudo isso é muito você, é lindo e só amor.

toshi disse...

Tive que ler 3 vezes para entender tudo e quando entendi, cara, arrepiou.

Mariana disse...

ai que liindo, deu uma saudade de ver todo esse amor assim personificado.

você ainda tem o mesmo cheiro? ♥

mariana! disse...

isso é muito mas muito mas muito lindo!