19 junho 2009

Abaixo da Epiderme

Existe um amor. Não sei onde ele se esconde, mas sei que está dentro de mim. Por vezes, posso senti-lo na pele, transbordando. Outras, ele afunda em minhas entranhas, se acomoda no cerne do meu corpo e lá se deita, incômodo corpo estranho. E eu nada mais posso fazer que senti-lo. Sentir por completo, alimentar e tratar como hóspede o hospedeiro, um parasita.

Mas ele é tão imenso... imensurável que não posso reunir forças para tirá-lo de mim. O que eu seria sem ele? Difícil pensar em tais associações. Ele me sorri por dentro quando o seu riso me encanta e ele me chora quando você não está por perto. Sem ele, quando você chegasse eu não sentiria nada. Eu ficaria segurando o ar, esperando a dor e a emoção da sua chegada, mas nada viria. E então eu não saberia o que fazer.

Arranca ele de mim e terá sua confusão resolvida em um segundo. Existe a osmose para isso, os meios se tornarão isotônicos. Aproveita do meu amor que ele é seu. Sente esse amor nos meus olhos, na minha boca, exalando dos meus poros. Sente um pouco dele e você saberá num instante. Pega ele pra você, leva embora, ele me faz fraca, inconstante, inconsciente de meus atos, de minhas palavras.

Vou colecionando os seus detalhes e os seus defeitos para alimentar o amor que tenho. De vez em quando, eu não sei desistir. Ele não desiste nunca.

4 comentários:

Pati :) disse...

Osmose e corpos isotônicos: prestou atenção na aula do Zé, ein safads?

Pati :) disse...

me lembrou o texto: "Mania boba é essa
Da gente de gostar
De alguém, alguém
Que nos faz
Um poquinho feliz
Quando vem, alguém
Que quando vai num diz
Pra onde, nem porquê
Tá te deixando saudade
Fazendo a gente sofrer"

E está no meu filme, vlw.

toshi disse...

Estes tegumentos são bárbaros.

ester disse...

vc me fascina,e sabe flar do amor como NINGUEM.