10 março 2007

Childish



A senhorita Alice, filha do Seu Amaral, dono do armazém, me disse "olá" um dia desses. Ela virou e disse: "olá!".

Eu estava andando meio distraído pela estradinha de terra que vai pro campinho quando ouvi o sininho. Eu já conhecia aquele barulho, aquele barulho de sininho. Era de uma bicicleta de tamanho médio, cor-de-rosa, com os pneus carecas. Mas não era qualquer bicicleta! Era a bicicleta da Alice! E lá vinha ela, toda menininha, com os cabelos cor-de-laranja presos numa fita azul claro e as sardas daquele rosto lindo (tããoo lindo) bem abaixo da armação preta dos óculos de grau. Ela tinha alguns tantos graus de miopia, era o único defeito daqueles olhos verde musgo que eu nunca tive coragem de encarar direito. Eu acho que era o único defeito dela.

Pensei em ficar admirando e quando ela estivesse mais perto eu a barraria e roubaria um beijo. Um beijo lindo, daqueles de cinema, ali na bicicleta mesmo. Mas quando notei que ela se aproximava de verdade pensei em me esconder atrás da mangueira que tinha ali do lado.

Ai, mas que besteira a minha! Onde (fora dos meus sonhos, é claro) Alice haveria de me querer? Ela é um ano mais velha! São 365 dias! E as meninas da sétima preferem aqueles fortões lá da oitava B. Se eu fosse da sala dela, pelo menos, eu mentia meu nome de Alessandro e sentava do lado dela na chamada, mas não... Nem isso! Eita destino injusto tu reservou pra mim, hein? Minha vó sempre me fazia carregar esse anjinho de metal no bolso. Insitia que insistia que era meu anjo da guarda. Não que eu acreditasse, mas era bom ter alguém pra culpar quando as coisas dão errado, por isso ele nunca sai do meu bolso mesmo.

Oras, veja só como ela já estava perto!!! Já dava pra ver até o escrito do nome da escola em cima so emblema na camiseta branca! Talvez eu devesse segurar o guidão e dizer pra ela aquela frase romântica que eu decorei ontem na aula de português. Como era a frase mesmo? Ah, droga! Eu já não me lembro...

Ah, Deus! Ela já estava tão perto que eu podia até contar as sardas, se eu quisesse. Ainda bem que eu não queria.

Arrumei o cabelo do jeito que deu, endireitei as costas e puxei a alça da mochila. Olhei para o relógio para dar um ar de suuuper ocupado e quando ela passou bem do meu lado eu virei e disse: "Oi, Alice!". Ela levantou uma das sobrancelhas por alguns míseros segundos - droga, ela nem sabia que eu sabia o nome dela! - depois abriu um sorriso lindo e perfeito com aqueles dentes brancos e certinhos e disse: "olá!".

E passou...

Deixou meu coração palpitando descontrolado e seguiu seu caminho na estradinha. Nem quis ter coragem de olhar pra trás.

Esse foi, sem dúvidas, o dia mais feliz da minha vida até hoje: o dia em que Alice Amaral me disse olá.

Ela ainda não sabe, mas um dia ela vai se casar comigo.

Aliás, acabo de me lembrar! A frase da qual eu havia me esquecido era: Quando é que você vai notar que o vão que faz na sua mão é só porque você não está comigo? É de uma música do Nando Reis. Um dia desses eu digo pra ela.

Ai, Alice...

3 comentários:

david santos disse...

Olá!
Bom trabalho.
Bom fim-de-semana

.kááh~ disse...

Qui liiiiindo! Ah...u.u

Vc já pensou em ser jornalista, escritora ou algo do gênero? Ou quem sabe você pode ser arquiteta e ao mesmo tempo publicar um livro. Afinal, vc tem o dom. ^^

bjus
=*

evandro disse...

esse eh mais apaixonante ..
sabe o q pensei?
sobre o bjo dakeles de cinema...
q eu kero q aconteça com alguem, alguem de campinas sabe?...
mas evito pensar mto nisso, soh foi uma parte do texto q me fez ter vontade de ter um bju assim com alguem q quanto mais eu conheço mais eu admiro!!!
linda
bjao