13 julho 2007

Até no seu silêncio existem razões (o meu amor incondicional por Clarice Lispector)

Não sei se é exatamente o abismo do silêncio que ecoa que me traz tanta angústia. Eu sinceramente esperava que você jogasse o cabelo curto pra trás, ficasse de pé e falasse alto, e falasse muito. Você já me fez sorrir, já me fez chorar, suas palavras já me causaram emoções das mais diversas e acho que eu esperava vê-las, pelo menos em parte, em você. Eu procuro entre os seus problemas de dicção e seus sotaques as suas palavras, mas elas são poucas, vazias, curtas, frias e enigmáticas. Seus olhos querem estrangular aquele repórter (ou será que você é assim mesmo o tempo todo?) e por vezes no tom de voz dele é possível sentir um alto teor de reciprocidade. De onde vem toda essa coisa de ser contida? Suas peças de roupa não ornam, jogada naquele sofá velho e marrom de 1977. Você não sabe, não quer dizer e a sua novela tem mais de treze títulos! Eu ainda não consigo definir o que eu senti vendo você ali... As suas palavras não têm pudor, não são medidas na intensidade. Você insiste em falar ao mesmo tempo que o entrevistador e depois o encara no silêncio e o obriga a quebrar o vazio com a próxima pergunta. Logo. Você ama os seus filhos e diz que só está triste hoje por causa do cansaço, mas eu só vi o seu sorriso uma única vez em uma foto ainda. Embebeda-me o desejo de lhe abraçar bem forte, de lhe dizer como o seu mundo é completo, como a sua alma é enorme, da sua grandeza! Quantas vezes mesmo você morreu? Tolinha, não morreu nenhuma! Você é imortal, você vive nos seus livros, você vive nas pessoas, você vive em cada lágrima e em cada suspiro de seus árduos ou desleixados leitores, a sua Hora da Estrela chegou e ela não tem mais treze títulos! Eu acredito em você e pra mim você existe. Não é assim que funciona? Pra sempre. Eu queria plantar um sorriso no seu rosto lindo... Lindo! E segurar a sua mão enorme. Eu queria tentar desmanchar a sua certeza de que todo adulto é solitário. Pense duas vezes, meu bem: Quando você me traduz seu coração em uma dúzia de palavras, eu sinto que eu entendo a sua alma, eu vejo você. Talvez nós não sejamos tão diferentes: veja todas essas emoções que compartilhamos, você não está sozinha!!!

Eu desejo o impossível, sei disso. Compreendo o quanto é impossível, mas não consigo repreender o meu impulso de desejá-lo. E de tão tolo, mesquinho e impulsivo, o meu coração só consegue aumentar o meu desejo. Desejo olhar nos seus olhos, conhecer a sua intensidade com meus próprios sentidos. Ninguém melhor que você sabe que Ver é a pura loucura do corpo. E eu mais do que ninguém sei que loucura alguma me falta.

Se fosse qualquer outra pessoa o meu instinto implicante poderia pensar em reclamar. Mas é você... e... eu não consigo. Você se deixa ser, se deixa dizer de uma forma tão completa que eu não sei. Nem mesmo esse seus modos contidos, que em outras ocasiões me decepcionariam, coseguiram me chatear: eu, com todo o meu coração e compreensão, vejo a sua excentricidade claramente escondida neles. E do que eu haveria de me queixar? Não é essa angústia que você me traz que faz com que eu lhe idolatre com tamanha intensidade? Não é esse seu jeito quieto que me fez assistir todos aquelas dezenas de minutos de vídeo? Eu nem gosto de entrevistas! Não é você, Clarice? Não é você? Sendo você, ai Deus: Já é mais do que eu posso pedir, já é mais do que o bastante. Tantas são as suas definições... Se compreender-lhe é uma questão de tocar ou não tocar, eu nem sequer preciso ler seus textos para compreendê-los: eles tocam o meu âmago só de ver o seu nome em baixo. Depois que eu leio é indescritível. Todos. Eu amo você com todas as letras, Clarice Lispector. Com todas as palavras, com todas as expressões. E, oras, Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

Então vem um esdrúxulo qualquer me perguntar pra quê fazer uma declaração de amor pra uma mulher que nunca irá ler. Não me dá vontade de responder, minha vontade é escrever mais. Daí da sua estrela, Clarice, do seu lugar, do seu céu, você verá as minhas palavras? Você sentirá ao menos parte da minha emoção? Enfim encontro uma causa justa pra minha luta: Incondicional é algo que não possui condições. E meu amor por você é incondicional. Só. Escreverei inúmeras palavras, descreverei de inúmeras maneiras. Pra saciar minha própria vontade. Minha própria loucura. Minha própria saudade.

Deixe-me dizer só mais uma vez, me faz bem e não faz mal a ninguém mais: eu amo você, Clarice.

Com todas as minhas forças.







6 comentários:

Carolina Carol disse...

uuuaaaauuu!!!!
que declaração!!!
quase sinto vergonha de nao ter lido nada dela ainda. Tenho a hora da estrela aqui, e, se voce escreveu tamaaanha declaração, é porque ela merece. Vou ler!
ah, e não tenho certeza se voce que comentou no meu blog, mas de qualquer forma agradeço imensamente a sua paciencia :] pelo menos, alguém com quem eu posso dividir minha loucura :)
beeeijo!

Carolina Carol disse...

uma última coisinha
[acabei de ler um mês inteiro de postagens]
quaaase consigo sentir inveja do seu talentíssimo.
Os comentários dizem muito mais do que eu, tão pobre de vocabulário, poderia cogitar dizer.
Voce É B-O-A!!!
Parabenzíssimo :) Quando sai o primeiro livro?

_cams; disse...

Kmz é minha ídola, como eu já disse x)


Teu texto tá tão... *-* OMG. Não tenho palavras que o descreva.



Te aaamo, fofa.
Saudades.

.kááh~ disse...

Putz, essa foi a declaração de amor mais sincera que eu já vi!
='o

Você é foda garota! xD

Até segunda *o*
Intercâmbio de séries \o/ yeah!
^^

Edu disse...

Olá, Camila - aqui é o amiguinho da Casey Dienel falando! =)

Se eu percebi bem, acho que você citou nesse teu (ótimo) post várias impressões que saíram de uma famosa entrevista da Clarice pra TV, num foi? Eu assisti faz pouco tempo essa entrevista que ela deu em 1977 e achei ultra intrigante, curiosa e original! Não sei se ela era sempre assim ou se foi mais uma coisa do fim da vida dela, mas ela parecia tão cansada, tão sem vontade de se comunicar e tão diferente daquela criatura poética e exaltada que a gte imagina qdo lê os livros!

Mas com ctza ela era realmente um ser humano fascinante e foi de longe uma das melhores escritoras desse país - e curti muito essa tua Declaração de Amor a ela (dá até pra sentir a influência lispectoriana no jeito de escrever...). Aliás, não sei de que cidade você é, mas não custa nada dar a dica: faz um tempinho já que está rolando em Sampa, no Museu da Língua POrtuguesa, uma master exposição sobre ela que é legal pra qualquer fã (mas eu não fui ainda). Bom, é isso aí! Eu tb tenho um textão enorme escrito sobre a Clarice, principalemente falando sobre o "Paixão Segundo G.H." - se quiser dê uma bizoiada depois...

Ah, fiz um link pro teu blog no meu, ok? Já está entre os meus "favoritos" que merecem visitas frequentes! :)

Bjos!

firstlove. disse...

e,foi a declaração mais ..
SINCERA que eu já li ;)
você,realmente tem FUTURO.


hahaha.
beiijos ;*